Jornalismo Ambiental no Brasil e no Mundo

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1995 – Criada Rede Mundial de Jornalistas de Meio Ambiente

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por Roberto Villar*

O jornalismo ambiental no Brasil está muito mal. Antes da Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, em junho de 1992, a população brasileira foi inundada por notícias de meio ambiente. Depois da Rio 92, a grande imprensa mergulhou num grande silêncio, e a maioria dos editores voltou a considerar as questões ecológicas como secundárias e extravagantes. Este foi o quadro apresentado pelo representante do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (Nejrs) no I Congresso da Federação Internacional de Jornalistas de Meio Ambiente, que aconteceu nos dias 3 e 4 de novembro de 1994 no Palácio da Unesco, em Paris.
Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, França e até no Sri Lanka, o Brasil não tem uma entidade nacional de jornalismo ambiental. A maioria dos repórteres especializados foram colocados em outras editorias ou demitidos, como foi o caso de Randáu Marques em São Paulo. Apenas a Gazeta Mercantil mantém uma página diária sobre meio ambiente, e nenhum veículo com equipes de investigação se debruça sobre este tema, deixando de lado pautas como o contrabando de lixo químico ou o transporte clandestino de material radioativo, apenas para citar dois exemplos.
O principal resultado deste encontro em Paris foi a construção de uma rede “virtual” de jornalismo ambiental através da Internet. A Federação está incentivando o uso do correio eletrônico, explicando que atualmente este é o meio mais rápido, barato e eficaz de comunicação. Já existe até uma conferência eletrônica específica sobre jornalismo ambiental (env.journalism), que já está à disposição dos interessados no nodo Alternex do Ibase. Na América Latina, já há trocas de mensagens entre jornalistas do Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Costa Rica, México e Cuba.
O uso do computador para troca de mensagens entre jornalistas de outros países, e até para fazer entrevistas, foi motivo de um acalorado debate em Paris. A maioria dos 150 presentes, vindos de 50 países, desconhece o correio eletrônico, por diversos motivos.
Na França, apenas em maio de 1994 foi implantado uma rede, chamada Globonet.
Os franceses acham que espaço virtual é coisa de anglo-saxão, e eles odeiam perder para os ingleses e norte-americanos, por isso muitos franceses questionam a validade da Internet.
Muitos jornalistas ainda não utilizam o correio eletrônico porque não tem dinheiro para comprar um computador, não gostam de tecnologia ou simplesmente desconhecem a existência das redes.
O II Congresso da Federação será em novembro de 1995, em Boston, dentro do Massachusetts Institute of Technology (MIT). A prioridade do próximo ano será estender a rede para a África, pois não tinha nenhum representante em Paris, e América Latina, principalmente no Brasil. Nos demais países as associações existentes se comprometeram a divulgar o serviço e as facilidades do correio eletrônico. Mas para que tudo isso?
Bem, os jornalistas querem trocar informações rápidas para divulgarem notícias em outros países e também conseguirem informações para reportagens que só conseguiriam se perdessem dias no exterior, com um custo altíssimo. Os integrantes da Federação tem o
compromisso de ajudar os colegas, quando requisitados.
No final do Congresso em Paris, os jornalistas aprovaram uma Declaração pela Liberdade de Acesso à Informação. O texto sugere que cada um faça uma análise da legislação de seu país sobre a matéria. A Federação propõe que a obrigação de prestar informações seja regulada por lei, estabelecendo que “o meio ambiente e a saúde pública sempre devem preceder os interesses militares, comerciais, industriais e políticos”. Os Estados Unidos têm uma lei forte para auxiliar o trabalho da imprensa, a FOIA – Freedom of Information Act. Com ela, os repórteres podem entrar na justiça pedindo que o governo libere informações, e os jornalistas geralmente ganham. A briga pode demorar, mas vale a pena. No Brasil, nós temos apenas uma linda declaração no inciso XIV do Artigo 5º da Constituição: “é assegurado a todos o acesso à informação…”.
O estatuto da Federação Internacional de Jornalistas de Meio Ambiente está à disposição dos interessados no Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul. Mais detalhes sobre a Federação podem ser conseguidos com o presidente, o norte-americano Jim Detjen (jamesd6474@aol.com), ou com o secretário-geral, o alemão Valentin Thurn (v.thurn@link-k.comlink.apc.org). Também faz parte da diretoria o jornalista uruguaio de Montevidéo Victor Baccheta, da Revista Del Sur (victorb@chasque.apc.org).
Roberto Villar é, em 1995, Conselheiro Fiscal do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul. Esteve em Paris representando o NEJ/RS.
Publicado originalmente no AgirAzul/1995
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Autor: Redação

Jornalista, Porto Alegre, RS Brasil.

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