Jornalismo Ambiental no Brasil e no Mundo

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Terça Ecológica debate a cobertura jornalística sob o olhar do jornalismo ambiental

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No Dia Mundial do Meio Ambiente, 05 de junho, o Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul – NEJRS – realiza o seu evento mensal, a Terça Ecológica, sobre qual o sentido da atividade jornalística e quais as consequências geradas à sociedade. Essas questões integram as atividades preparatórias, neste mês, à Rio+20 e ao evento criado para ser um contraponto a este, a Cúpula dos Povos. O jornalismo tem o compromisso de mostrar a complexidade dos temas ambientais sob pena de não cumprir o seu principal preceito: atender o interesse público. Assim, o NEJ-RS traz para o debate os resultados de trabalhos acadêmicos que investigaram a cobertura jornalística sob o olhar do jornalismo ambiental.
O publicitário Bruno Dias vai apresentar os resultados do seu trabalho de conclusão de curso, intitulado “Representações Sociais acerca do reassentamento da Vila Chocolatão”. A vila porto-alegrense, constituída em meados dos anos 90 nas proximidades da Avenida Loureiro da Silva n°515, foi uma das primeiras ocupações feitas por pessoas em situação de rua no Brasil. As 225 famílias ou os 732 moradores dependiam da coleta de materiais recicláveis para sobreviver. Dentre os resultados, Dias constatou um desinteresse no aproveitamento das informações do laudo técnico socioeconômico – contrário ao reassentamento – pelos veículos Correio do Povo e ClicRBS no período da análise, em maio de 2011.
Destaca-se também a exclusão dos moradores resistentes ao reassentamento enquanto fontes de notícias, e uma correlação entre as informações e opiniões divulgadas pelos portais de notícias e o conteúdo disponibilizado no site oficial da prefeitura de Porto Alegre. “A troca de um ambiente insalubre por um dotado de infraestrutura, por si só, foi interpretada como uma melhoria ‘indiscutível’ na vida destas pessoas, sendo quase impensável discutir-se através da imprensa a possibilidade de que tal episódio possa constituir um retrocesso social, como alertou o laudo socioeconômico. Além disso, outras questões concernentes à nova realidade da comunidade foram pouco exploradas pela imprensa jornalística, limitando-se, esta, a relatar informações difundidas pela prefeitura”, afirma Dias.
A jornalista ambiental Eliege Fante defendeu em maio a dissertação “As representações sociais sobre o Bioma Pampa no jornalismo de referência sul-rio-grandense”. A pesquisa consistiu na busca pelas representações sociais (formas de conhecimento) sobre o Bioma Pampa que circularam nas notícias no período de construção e aprovação do Zoneamento Ambiental da Silvicultura, entre abril de 2007 e abril de 2008. Os jornais Correio do Povo e Zero Hora, que são referências aos outros veículos e também do interior do Estado, incluiu o Bioma Pampa em apenas 10% das notícias.
Concernente à biodiversidade pampiana, somente os técnicos, professores, pesquisadores e ambientalistas vinculados aos órgãos estaduais e federais ambientais, universidades e ao movimento socioambiental – fontes menos ouvidas – possibilitaram o conhecimento do potencial do Bioma. Já as fontes oficiais, como o Governo do Estado, as empresas da celulose e os aliados da implantação da Silvicultura, predominaram na circulação latente do Bioma Pampa, verificada em 90% das 246 notícias do período.
“O Bioma Pampa foi caracterizado como um território empobrecido, com necessidade de melhorar a infraestrutura, sem alternativa de emprego, com necessidade de diversificação na produção. Ou seja, como um lugar para a exploração de recursos a serem fornecidos à sociedade, e não enquanto território de riquezas e bens naturais que é”, disse Eliege. Outra conclusão a que chegou foi de que o jornalismo propagou e difundiu o desenvolvimento econômico-financeiro do agronegócio globalizado das empresas de celulose, através da implantação da silvicultura, como única alternativa de desenvolvimento para o território gaúcho.
“Os sentidos do verde nas páginas de Zero Hora” serão apresentados pela jornalista Jaqueline Sordi. A dissertação de mestrado selecionou todo o material produzido pelo jornal gaúcho ao longo dos últimos quatro anos que continha a expressão “plástico verde”, referente à implantação da nova planta industrial da Braskem no Estado. Conforme o divulgado, o jornalismo foi abordado sob a ótica construtivista, enquanto local de construção, seleção e configuração do acervo de conhecimentos da sociedade; sob a ótica discursiva, entendendo o texto como um discurso, pela sua historicidade e possíveis enquadramentos; e sob a ótica ambiental, que defende um jornalismo de caráter ético e cidadão, comprometido com o interesse público.
Jaqueline optou pela Análise do Discurso, uma teoria francesa, através da qual apontou os silenciamentos e as estratégias discursivas que movimentaram as intenções dos produtores da notícia. Pode-se adiantar que a pesquisa indicou a predominância do discurso ecotecnocrático, que através de estratégias de (re) afirmação e silenciamentos, atribui ao verde uma visão filiada a interesses comerciais, distanciando-se de seus sentidos ecológicos originais.
O doutor em Comunicação e Informação e jornalista ambiental Reges Schwaab vai abordar os resultados da sua tese “Uma ecologia do jornalismo: o valor do verde no saber dizer das revistas da Abril”. A análise foi feita sobre reportagens e textos editoriais de cinco revistas da Editora Abril (Veja, Exame, Superinteressante, Nathional Geographic Brasil e Vida simples), entre 2007 e 2008, que sob a marca do Movimento Planeta Sustentável apresentaram o tema meio ambiente como manchete de capa. O seu objetivo foi compreender “como o jornalismo dota de sentido a sua prática ao tratar da questão ambiental”. Segundo o pesquisador, o dizer das revistas tem uma “ordem marcada pela vontade de estabelecer um saber ambiental adaptado aos novos tempos, ao qual as pessoas devem aderir e, para isso, precisam saber ‘como’ aderir”.
Texto distribuído pela EcoAgência de Notícias

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