Jornalismo Ambiental no Brasil e no Mundo

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Roberto Villar falou sobre 'Jornalismo Ambiental em tempos de economia verde"

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O Jornalismo ambiental em tempos de economia verde, foi o tema da primeira manhã da Semana Acadêmica do Curso de Comunicação Social (Seacom) da Univerisidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Roberto Villar Belmonte, integrante do Núcleo de Ecologistas do Rio Grande do Sul, palestrou aos alunos do Curso, em 21/8/2012. Ele já cobiru duas conferências da ONU, a Rio +20, no Rio de Janeiro, em junho deste ano, e a Habitat II, em 1996, em Istambul. Em sua palestra, a ideia de que “jornalista ambiental também é jornalista”, prevaleceu. Mas ele afirma que os profissionais desta área devem “colocar o bode na sala”, ou seja, informar mesmo quando ninguém quer que seja informado. Acompanhe abaixo a entrevista concedida ao Núcleo de Jornalismo da Agência Experimental A4.

MS: Em meio a tantas manifestações de cunho ecológico, principalmente na Internet, como que podemos classificar o jornalismo ambiental?
RV: Temos que cuidar muito com o que circula na Internet. Claro que ela é uma fonte super importante de informação e denúncias, mas temos que buscar sites especializados, que tenham credibilidade e profissionais reconhecidos na área. Existem muitos sites em que os textos não têm nem assinatura, então, eu já posso desconfiar. O site O Eco é um bom exemplo de conteúdo ambiental e que é feito por gente muito qualificada.

MS: Como você vê o espaço da Economia Verde e também do Desenvolvimento Sustentável no imaginário social?
RV: A discussão da Economia Verde é uma discussão bastante fechada. A população em geral não tomou conhecimento desse debate ainda, por que é uma discussão bastante técnica entre OGNs e Governos. A Economia Verde, na verdade, é um “pedaço” do Desenvolvimento Sustentável, que é um grande projeto para um modo de produção. Uma maneira que a população tem de se envolver mais nisso, e nós, os jornalistas temos um papel fundamental em mostrar para a população como a Economia Verde pode ser mais ampla, não se restringindo somente à bolsa de valores.  Ela também tem um lado bacana: você poder ir pra feira ecológica da esquina da sua casa comprar alimentos orgânicos também é Economia Verde.

MS: Como você analisa o modo com que os Meios de Comunicação tratam a Economia Verde?
RV: A Economia Verde é um tema novo e em disputa. Existem pessoas que estão ligadas e consomem, por exemplo, produtos orgânicos. Também mudam a sua atitude como consumidor e já estão dentro do sistema da Economia Verde, sem saber. Não é muito divulgado justamente por isso: é um tema exotérico e abstrato.

MS: Como o jornalismo ambiental brasileiro contribui na divulgação da verdade?
RV: Com muita dificuldade. Os jornalistas ambientais brasileiros têm muita dificuldade para manter os seus veículos. É uma luta difícil porque o tema “ambiental” disputa com vários outros temas dentro do jornal. Se bem feito, incomoda e se mal feito, não interessa.

MS: Qual o perfil de um bom profissional para atuar na área do jornalismo ambiental?
RV: Precisa ter curiosidade, porque exige muito estudo. Quem quiser cobrir meio-ambiente com fundamento vai ter que fazer mais outra graduação, vai ter que participar de cursos e estar sempre se atualizando, afinal é uma área que a toda hora surgem novas descobertas. Não conheço, nos 21 anos em que trabalho na área, nenhum jornalista especializado que dê conta de todos os temas da área ambiental, de tão diversificado que é.

MS: Como o jornalismo ambiental vem mudando o mundo?
RV: Colocando “o bode na sala”. Mesmo quando ninguém quer falar de meio ambiente, precisamos falar: “Sim, aquela indústria ainda está poluindo” ou “Sim, ainda temos problemas”. Nossa maneira de militar na área ambientar é informando e isso eu chamo de colocar “o bode na sala”.

MS: Como o jornalismo ambiental pode mudar o mundo?
RV: Temos que procurar dar sentido às coisas, não só informando. Nossa grande contribuição para mudar o mundo é auxiliar as pessoas a compreenderem-no e a dar nexo para as informações que estão soltas por aí. Hoje, no mundo da Internet, é muito fácil se conseguir uma informação solta, mas o papel do jornalista é contextualizar, interpretar e “costurar” o conteúdo. Informação sem contexto, sem nexo e sem sentido não serve para nada.

 

por Martina Scherer – Fonte: http://hipermidia.unisc.br/17seacom/?p=175

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Autor: Redação

Jornalista, Porto Alegre, RS Brasil.

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