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Jornalistas devem aplicar crowdsourcing na cobertura ambiental

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 Em Gana, taxistas instalam sensores para monitorar a qualidade do ar. No Equador, grupos indígenas contam o número de árvores, onças e outros animais em sua região da floresta tropical. Em ambos os casos, esses dados dão aos cientistas uma rica fonte de informações sobre o meio ambiente.

Jornalistas devem desempenhar um papel em projetos de monitoramento ambiental como esses. Eles podem ajudar as comunidades a se conectarem, contar as histórias por trás dos dados coletados e ajudar a explicar os problemas e questões para o grande público e formuladores de políticas.

Esse tipo de monitoramento da comunidade, muitas vezes chamado de ciência cidadã, está ganhando força entre pesquisadores. Alguns exemplos são bem conhecidos na Internet, como o site GalaxyZoo, que pede ao usuário para dar uma força na classificação de imagens telescópicas do espaço. Com apenas alguns cliques, o usuário ajuda os cientistas a analisarem mais dados do que poderiam fazer de outra forma.

Mas a ciência cidadã não se limita à mobilização dos visitantes do site. Há uma série de organizações não-governamentais (ONGs) em todo o mundo aproveitando o acesso à tecnologia e a novos dispositivos a preços razoáveis ​​para a coleta de dados. Projetos na Ásia, África e Américas estão usando tecnologia que vai de telefones móveis com GPS a sensores que medem a qualidade da água e do ar.

Fiquei sabendo sobre alguns bons exemplos numa reunião em Quito, Equador, organizada pelo Grupo Faro, uma ONG de política pública. Organizações da América do Sul e Estados Unidos apresentaram projetos que utilizam crowdsourcing para melhorar a coleta de dados. Por exemplo, o professor Eric Paulos do Center for New Media na Universidade da Califórnia falou sobre o projeto que dirigiu em Gana, onde motoristas de táxi instalaram sensores de qualidade do ar em seus veículos e ajudaram a medir a poluição na capital, Acra.

Como parte da minha bolsa do Knight International Journalism Fellowship, fui convidado pelo Frontline SMSa participar e compartilhar o trabalho da InfoAmazonia. Atualmente, extraimos dados de satélites de agências espaciais para monitorarmos as condições na Amazônia. Na próxima fase, queremos incluir dados das comunidades em nossa plataforma e possivelmente verificar essas informações com os dados de uma equipe de jornalistas que usa GPS e outros sensores. (Aqui está minha apresentação [em inglês].)

Em Quito, conheci projetos de monitoramento com cidadãos que já estão em andamento no Equador. NoParque Nacional de Galápagos, por exemplo, as autoridades da área protegida envolveram os moradores locais no monitoramento da qualidade da água doce, um recurso crítico e escasso no arquipélago.

O Grupo Faro também fundou alguns projetos de monitoramento com cidadãos na região amazônica do Equador. Em parceria com a Universidade São Francisco de Quito, o grupo está prestes a lançar um sistema de monitoramento via satélite para medir o desmatamento. Estes dados serão posteriormente verificados no campo pelas comunidades locais.

Nós visitamos uma comunidade indígena quichua Wamani que monitora a fauna e a flora numa área de 5.000 hectares da floresta perto de Tena, cerca de 140 km de Quito, para o Grupo Faro. Os membros da comunidade preenchem questionários em papel e tabelas quando veem uma onça-pintada, anta, veado ou qualquer das espécies que vivem na área. Também marcam pequenas áreas da floresta com cordas. Uma vez a cada três meses, eles contam o número de árvores dentro das cordas e observam o seu tamanho.

Pesquisadores do Grupo Faro acreditam que a tecnologia pode melhorar o monitoramento do projeto e a quantidade de dados. Há uma boa cobertura de celular na região e a escola local recentemente ganhou acesso à Internet.

O Frontline SMS na África usou celulares para compartilhar os preços de produtos agrícolas, o que poderia ser um bom modelo para entrega de dados da floresta através de tecnologia móvel.

A InfoAmazonia deseja aprender com todo esse trabalho, e eu espero que outros jornalistas irão buscar oportunidades de trabalhar com os cidadãos para monitorar e informar sobre o meio ambiente.

Foto: Pesquisadores, guardas florestais, jornalistas e líderes locais discutem o uso de tecnologia para a coleta de dados do cidadão; cortesia de Gustavo Faleiros.

Gustavo Faleiros é jornalista ambiental e treinador de mídia especializado em jornalismo de dados. Ele é um bolsista do Knight International Journalism Fellowship com base no Brasil. Siga-o no Twitter  (6/2/2013)

 

Fonte: http://ijnet.org/pt-br/stories/jornalistas-devem-aplicar-crowdsourcing-na-cobertura-ambiental

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Autor: Redação

Jornalista, Porto Alegre, RS Brasil.

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