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Celso Schröder: “Ainda temos que incorporar a Amazônia a partir da visão que a Amazônia tem de si mesma”

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Captura de Tela 2015-07-12 às 22.13.04Celso Schröder, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, fala ao site Mídia e Amazônia sobre a cobertura da mídia brasileira sobre temas relacionados à Amazônia e a importância da regionalização das produções. Também há link para a gravação da entrevista com cerca de 5 min da webtv do site.

Celso é formado em Jornalismo pela PUC-RS e especialista em Sociologia pela UFRGS. Atualmente é presidente da FENAJ, da Federação de Jornalistas da América Latina e Caribe (Fepalc) e vice-presidente da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ). Também é membro titular do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.

Qual é a sua percepção sobre a cobertura da Amazônia pela imprensa brasileira? Quais são os principais problemas e os principais desafios?

Eu acho que a cobertura que a mídia nacional faz sobre a região amazônica, embora tenha aumentado, existam mais pautas, mais temas sobre a região amazônica, ainda é pautada por uma visão colonialista. Ou seja, ainda trata a região amazônica como um depósito de bens naturais – uma espécie de reserva mundial da fauna e da flora, como um patrimônio mundial – e não como uma região do País, do Brasil, uma região riquíssima nacional e, portanto, atendendo, às vezes, a interesses nem sempre legitimamente constituídos no Brasil.

Por outro lado, também com uma visão de atribuir à Amazônia simplesmente uma reserva econômica, do ponto de vista extrativista, também acaba reproduzindo essa visão colonialista. Portanto, não reconhecendo na Amazônia primeiramente o potencial óbvio de riqueza que ela representa – o patrimônio estratégico do ponto de vista mundial, mas sob a direção e a proteção do Estado brasileiro e da população brasileira -, mas principalmente um local onde vive um grupo de pessoas riquíssimo, uma cultura poderosíssima, de uma diversidade fantástica, com uma história que o País muitas vezes desconhece.

Então, eu acho que, embora com mais presença que alguns anos atrás, ainda temos que incorporar a Amazônia a partir da visão que a Amazônia tem de si mesma. Eu acho que precisamos que o jornalismo da região, que os produtos culturais da região, que o olhar que a região tem de si mesma precisa se transformar, precisa se nacionalizar, precisa ocupar os espaços nacionais para que o País possa constituir uma opinião sobre a região amazônica a partir primeiramente dos moradores, da população amazônica, e depois de um olhar brasileiro sobre essa região.

Ao que você atribui essa falta de incorporação de elementos que você mencionou?

Eu acho que o problema da Amazônia é mais ou menos o problema das regiões brasileiras. Ou seja, nós tivemos nos últimos 40 anos uma centralização da mídia brasileira a partir principalmente das grandes redes nacionais no eixo Rio – São Paulo, e isso produziu um sotaque indiscutível desse eixo. Até as tentativas que existem de se regionalizar a partir do olhar de São Paulo e do Rio de Janeiro – que até têm produtos bem feitos, regionais – saem sempre com o sotaque e o olhar dessa região.

Então, o que se precisa fazer, antes de mais nada, é uma legislação que garanta a produção regional dos conteúdos no Brasil. Isso é urgente, já há uma aprovação de 30% de produtos audiovisuais nos canais fechados de televisão e isso precisa ir para os canais abertos. Portanto, precisamos constituir e garantir a presença cultural dos conteúdos produzidos na Amazônia em rede nacional e fortalecer as produções regionais. Ou seja, diversificar também na Amazônia a propriedade e a possibilidade de outros olhares que não sejam das redes nacionais que se localizam na Amazônia e que, de alguma maneira, acabam reproduzindo o mesmo olhar hegemônico do centro do País. Quando nós garantirmos uma legislação que regionalize as produções e tivermos política de fomento para os produtores culturais da Amazônia, teremos uma situação muito melhor, que vai enriquecer, não tenho dúvida, a cultura brasileira. Isso se aplica a todas as regiões brasileiras, mas a região amazônica talvez seja a região mais isolada do ponto de vista obviamente geográfico e também do ponto de vista cultural.

Assista à entrevista completa na nossa WebTV.

Fonte

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Autor: Redação

Jornalista, Porto Alegre, RS Brasil.

One thought on “Celso Schröder: “Ainda temos que incorporar a Amazônia a partir da visão que a Amazônia tem de si mesma”

  1. Reblogged this on Comunicação Ambiente Sustentabilidade and commented:
    A entrevista do presidente da Fenaj Celso Schröder ao site Mídia e Amazônia: “a cobertura que a mídia nacional faz sobre a região amazônica ainda é pautada por uma visão colonialista”.

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