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Eloise Beling Loose recebe prêmio da CAPES pela melhor Tese em 2017 na área de Ciências Ambientais discutindo a qualidade da cobertura jornalística das mudanças climáticas

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 A Edição 2017 do Prêmio Capes de Tese anunciou como vencedor da área de Ciências Ambientais o trabalho “Riscos climáticos no circuito da notícia local: Comunicação e Governança”, da pesquisadora Eloisa Beling Loose. A tese foi defendida em 2016 no Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento da UFPR (Made).
Eloise possui graduação em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (2007), mestrado em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2010) e doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (2016).
Durante a pesquisa, Loose acompanhou a produção de pautas sobre Meio Ambiente em um dos principais jornais paranaenses. Segundo a pesquisadora, que também é jornalista, o estudo verificou que o enfoque da cobertura privilegia as grandes catástrofes e os efeitos globais das mudanças climáticas, especialmente os materiais prontos produzidos em agências de notícias internacionais.Loose explica que os jornalistas dificilmente procuravam um pesquisador que estudasse o tema no contexto local e assim fosse capaz de fazer a ligação entre as mudanças climáticas e o cotidiano do público do jornal. “Mesmo quando as notícias eram produzidas aqui, as fontes não eram locais, os jornalistas alegavam que era mais fácil ser atendido por um especialista que fosse de fora, que tivesse uma estrutura de assessoria de imprensa” conta Loose.

O estudo revelou que ao não noticiar a conexão entre os efeitos globais e as consequências mais próximas do público o jornalismo acaba por não evidenciar a importância do tema para as pessoas. Segundo a pesquisadora “o papel do jornalista e do comunicador é mostrar estas conexões, que nem sempre estão evidentes, explicitá-las para que as pessoas possam tomar decisões mais conscientes”.

Em uma abordagem interdisciplinar, a pesquisadora fez um extenso trabalho de coleta de dados que durou cerca de quatro anos. As atividades envolveram a pesquisa participante na redação do jornal, análise de matérias publicadas, entrevistas com leitores e com pessoas que foram procuradas pelos repórteres como fontes de informação.

Além das áreas de comunicação e de jornalismo, o trabalho se apoiou também no campo da psicologia no estudo sobre a percepção em torno do tema das mudanças climáticas, tanto de leitores, como de jornalistas e fontes. A perspectiva interdisciplinar é a marca do Made que desde seu início se propôs a integrar diversas áreas de conhecimento no processo de pesquisa.

“Esta posibilidade de relacionar diferentes áreas é algo que você não vai conseguir fazer num programa disciplinar” conta a jornalista. Ela destaca a importância de ter contato com professores e colegas com formação diversificada. “Isso tudo acaba contribuindo para que você tenha uma perspectiva muito mais plural do que se trabalhasse num grupo que tem o mesmo tipo de formação ou que aprendeu a estudar um determinado objeto a partir de uma mesma lógica” completa Loose.

Premiação

A cerimônia de entrega do prêmio será no dia 7 de dezembro, Loose conta que ficou surpresa com o anúncio devido ao fato da distinção não ser na área de comunicação. “Fiquei muito feliz com a premiação, é um sinal que consegui ultrapassar a barreira do meu campo, foi um trabalho bem exaustivo, muitos meses de trabalho de campo” conta a pesquisadora.

A orientadora principal da tese, a professora Myrian Del Vecchio, destaca a importância do tema na atualidade. “Nâo existe uma percepção clara dos riscos ambientais a nível local, eles permanecem invisíveis. Este trabalho mostra como a falta de uma comunicação efetiva, como vem acontecendo na imprensa local e também nacional, ao noticiar as mudanças climáticas apenas em função de eventos e de algumas catástrofes, muito distanciadas do Brasil, prejudica as ações de enfrentamento a estas mudanças” completa Del Vecchio.

Durante a pesquisa Loose passou 9 meses em Portugal estudando com uma das maiores especialistas em mudanças climática, a professora Anabele Simões Carvalho, da Universidade do Minho, que ajudou a orientar a tese.

Com texto de Rodrigo Choinski/Superintendência de Comunicação Social   da UFPR 12 de outubro de 2017 – 5h41

(foto: Facebook de Eloise)

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Autor: Redação

Jornalista, Porto Alegre, RS Brasil.

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