Jornalismo Ambiental no Brasil e no Mundo

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Por melhores narrativas ambientais — professores dão dicas de como aperfeiçoar a cobertura em tempos de policrise

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por Jornalista Silvia Franz Marcuzzo, Cachoeira do Sul, RS

Enquanto a pauta socioambiental vem ocupando espaços na mídia principalmente devido a notícias de inúmeros retrocessos, desmatamentos na Amazônia, intensificação das mudanças climáticas, na universidade há pesquisas que se debruçam sobre como melhorar a cobertura diante desse contexto. Desde que se identificou a necessidade de se aperfeiçoar o jornalismo ambiental, especialmente na década de 90, muita coisa mudou de lá pra cá.

Silvia Marcuzzo recebeu em sua live professores e pesquisadores do jornalismo ambiental Ilza Girardi e Simão Farias.

A cada dia novos conceitos têm sido incorporados pela imprensa. Racismo ambiental é um deles. Esses foram alguns dos assuntos abordados pelos professores Ilza Girardi e Simão Farias, que trabalham com essa temática em universidades federais do Norte e do Sul do país, na 15ª live da segunda temporada do programa Nas Ondas da Transição. Os dois fazem parte da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, da qual também faço parte, desde a sua criação.

O encontro, realizado no dia 25 de novembro de 2021, teve a participação da precursora do estudo e disseminação do jornalismo ambiental, Ilza Girardi, da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Ufrgs, e do professor Simão Farias, da Universidade Federal de Roraima. Ambos destacaram o quanto é fundamental nesse momento histórico que os profissionais de comunicação saibam captar os vários lados do contexto, valorizando a diversificação de fontes, na elaboração de suas narrativas.

Núcleo de Ecojornalismo

Ilza, atual coordenadora do NEJ-RS – Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul , contou um pouco sobre a longa trajetória da articulação, com a realização de eventos, cursos, e grupos de pesquisa de jornalismo ambiental. Atualmente, há inclusive um observatório que se detém a uma análise mais aprofundada da cobertura da imprensa. A Ecoagência Solidária de Notícias Ambientais, fundada pelo NEJsegue firme publicando especialmente conteúdos que não são dados pelos veículos da grande imprensa. Participei da fundação da Ecoagência, criada em 2003, cobrindo o Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre.

Uma das grandes realizações do NEJ foi o II Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental. Confira, a homenagem que prestamos para o Augusto Carneiro naquela ocasião.

Saiba mais sobre o NEJ  na sua página no Facebook.

Policrise

Os dois professores acreditam que há muitas lacunas na cobertura jornalística. Para Simão, há falta de soluções. Também é preciso considerar o contexto da desinformação (fakenews) e do negacionismo. Ele considera um avanço o maior envolvimento da comunidade científica na COP26. Há muito mais pesquisadores engajados no esclarecimento dos impactos da crise climática. No entanto, ele enfatiza que no meio de tudo isso, há o negacionismo político, que pode precarizar ainda mais essas crises.

“É preciso ampliar esse panorama de crises e entender como elas se articulam. Não dá para fazer uma análise meramente informativa, é preciso interpretativa, investigativa, considerando fatores, consequências, lacunas e soluções. E tudo isso com novidades ruins do contexto atual, de desinformação e negacionismo”.

Para Simão, atualmente vivemos uma policrise e precisamos apontar soluções.

“É uma crise generalizada. Não temos como deixar de articular a crise ambiental à crise política, a crise socioeconômica. Pois além do desmatamento, das queimadas, que são históricas,  estamos tendo a volta da exploração do garimpo.” Aos seus orientandos sempre indica a contextualização do cenário de policrise. Simão afirma o quão necessário é abordar formas de “enfrentamento”. “Quais as causas que precisamos atacar para que os fatos não se repitam?”

Foto de Bruno Kelly, para Reuters, viralizou nas redes sociais. Garimpo ilegal no rio Madeira, Amazonas, em nov/2021.

O professor liderou o trabalho do Grupo de Pesquisa Mídia Conhecimento e Meio Ambiente: olhares da Amazônia, entre 2019 e 2021, que resultou no Manual de Cobertura Jornalística de Mudanças Climáticas em Roraima. A publicação conta com um glossário e definições sobre tipos de jornalismo.

Dicas da professora Ilza

Confira as bibliografias com a participação da professora, que podem ser baixadas gratuitamente.

Artigos

A professora também sugere leituras para se compreender melhor a situação na qual estamos inseridos.  Ela defende a ‘ética do cuidado”, uma lógica diferente da praticada pelo sistema que se detém em explorar a natureza, com foco apenas no lucro. Elogia o trabalho que vem sendo feito pela Eliane Brum, onde destaca o artigo A gente que não vive no Tapajós  e pelo André Trigueiro, que tem conseguido mais espaço para pautas ambientais na Globo News.

Teses

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