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Cobertura ambiental recebe destaque no 16º Congresso Congresso da Abraji

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Satélite MODIS registra focos de calor na América Latina. Foto: NASA

As mudanças no clima da Terra motivadas pela ação humana já são chamadas de colapso climático por grandes jornais como o Guardian e o New York Times. No olho do furacão, está a Amazônia brasileira, que, com o desmatamento, passou a emitir mais carbono do que remover, de acordo com estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Para dimensionar a importância do tema, o meio ambiente estará presente entre as pautas centrais do 16º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. Para se inscrever, clique aqui.

No evento promovido entre os dias 23.ago.2021 e 27.ago.2021 pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), serão quatro mesas com foco em tópicos ambientais. Em uma delas, repórteres que estão na linha de frente em grandes investigações transnacionais sobre meio ambiente trarão detalhes de trabalhos colaborativos que unem profissionais do Reino Unido e da América Latina.

Revelar o abuso de poder para além das fronteiras nacionais é o objetivo do Centro Latino-americano de Jornalismo Investigativo (CLIP). A entidade estará representada no congresso pelo seu coordenador, Andrés Bermúdez Liévano. O CLIP também se engaja em apurações colaborativas sobre meio ambiente, como a Land Of Resistence, que reuniu mais de 90 profissionais de 12 países da região para levantar casos de violência contra ambientalistas.

Entre os integrantes da equipe multidisciplinar, está outro painelista: o brasileiro Gustavo Faleiros, cofundador da InfoAmazonia, plataforma digital que usa imagens de satélite e outros dados públicos para reportar sobre os nove países da floresta amazônica. Faleiros ainda é editor da Rainforest Investigations Network (RIN) do Pulitzer Center, que fomenta reportagens sobre a intersecção de mudanças climáticas, corrupção e governança ao redor do mundo.

Completando o painel “Investigações transnacionais sobre meio ambiente”, Alice Ross e Lucy Jordan, do Unearthed, site de jornalismo investigativo financiado pelo Greenpeace UK,  vão explicar como funciona o projeto. No Brasil, o veículo reporta em especial sobre o desmatamento da Amazônia e do Cerrado. A série “Bolsonaro vs the Amazon”, por exemplo, contou com repórteres freelancers baseados na floresta.

“Investigar e reportar os ataques ao meio ambiente e a estratégia de desmonte dos órgãos ambientais pelo governo Bolsonaro é pauta fundamental para todos os jornalistas”, assinala o jornalista investigativo da Repórter Brasil, Daniel Camargos. “A proteção ao meio ambiente é mais do que nunca questão de sobrevivência, que deve atravessar todas as editorias”, complementa.

Vencedor do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos de 2020 por uma série de reportagens multimídia sobre a violenta disputa por terras nos entornos do Rio São Francisco, Camargos vai mediar o debate “Como investigamos as boiadas”.

Participarão da discussão outros profissionais que acompanham e investigam os problemas ambientais do país, agravados com a mudança de políticas públicas do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). André Borges, do Estado de S. Paulo, Leandro Prazeres, de O Globo, e a premiada jornalista ambiental Maria Fernanda Ribeiro, da Amazônia Real, fecham a mesa.

Além da perspectiva ambiental, o território sob disputa que é a Amazônia vai ser o tema da mesa “Arrabalde: jornalismo literário na Amazônia”. A reportagem homônima que inspirou o painel mergulha na vida amazônida a partir das palavras do jornalista e escritor João Moreira Salles, fundador da revista piauí.

“Resultado de dois anos de pesquisa e cinco meses de apuração diretamente na região Norte, Arrabalde narra a história de como a maior floresta tropical do planeta vem sendo percebida por aqueles que se relacionam com ela desde o século XVI até os dias de hoje”, informa a linha fina do texto de fôlego.

A outra participante da mesa é a jornalista indígena Renata Tupinambá. Ela atua há mais de 13 anos na difusão das culturas indígenas e etnocomunicação por meio de projetos. Ela criou também o podcast Originárias, primeiro no Brasil de entrevistas com artistas e músicos indígenas. O programa integra a central de Podcasts femininos PodSim.

As homenageadas do 16º Congresso são Elaíze Farias e Kátia Brasil, fundadoras da Amazônia Real, a primeira agência de jornalismo independente e investigativo do Norte do País. A Abraji exibirá documentário sobre o trabalho fundamental das duas repórteres para a região, em cerimônia apresentada por Marcelo Träsel, presidente da Abraji, e Eliane Brum, do El País.

“Os jornalistas brasileiros desempenham nos últimos anos papel fundamental na denúncia dos malfeitos do governo, tanto que reportagens foram fundamentais para derrubar o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles”, afirma Daniel Camargos.

Outros temas centrais da 16ª edição serão ataques à imprensa, modelos de negócios e sustentabilidade, assédio judicial, segurança digital, riscos à democracia, racismo, pandemia e desinformação. Em 2021, a Abraji manteve os cinco eixos tradicionais do Congresso: trabalhos e jeitos de fazer; cenários e tendências; jornalismo sob ataque; aprendizado e teoria; e aprendizado e prática.

O 16º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo conta com o patrocínio de Facebook Journalism Project, Google News Initiative, Grupo Globo e Luminate, além de Agência Lupa, Artigo 19, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, International News Safety Institute (INSI), Itaú, Metrópoles, O Estado de S.Paulo, Poder360, Trust Project, Twitter e UOL. O evento terá apoio de mídia de CBN, Correio (BA), GloboNews, Grupo RBS e revista piauí e apoio institucional de Abert, Agência Pública, Ajor, Aner, ANJ, Comunique-se, Consulados e Embaixada dos EUA, FAAP, FCB Brasil, Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, Knight Center, Jornalismo ESPM, Jornalistas & Cia, Oboré, Portal Imprensa, PUC-SP, Textual Comunicação e UNESCO.

Fonte: www.abraji.org.br

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